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Autismo na vida adulta: quando ser você mesmo parece exigir esforço demais

Nem todo adulto autista recebeu um diagnóstico na infância. Algumas pessoas chegam à vida adulta tendo aprendido a observar, imitar e se adaptar às expectativas sociais, construindo estratégias para lidar com situações que, muitas vezes, exigem um esforço significativo.

Por fora, podem parecer independentes, comunicativas e capazes de lidar com diferentes responsabilidades (ou nem sempre). Por dentro, entretanto, podem vivenciar exaustão, sobrecarga sensorial, dificuldade para compreender determinadas situações sociais e a sensação de precisar estar constantemente se ajustando.

Como o autismo pode se manifestar na vida adulta?

O autismo se apresenta de diferentes maneiras e cada pessoa possui um funcionamento singular. Entre as experiências que podem estar presentes, estão:

  • Necessidade de previsibilidade e dificuldade diante de mudanças inesperadas;
  • Sensibilidade aumentada a sons, luzes, cheiros, texturas ou contato físico;
  • Interesse intenso por determinados assuntos;
  • Dificuldades na comunicação e na interpretação de sinais sociais;
  • Necessidade de períodos de isolamento ou descanso após interações;
  • Dificuldade para identificar, expressar ou regular emoções;
  • Sensação de não pertencimento, mesmo quando há esforço para se adaptar.

Essas características não aparecem da mesma forma em todas as pessoas. Além disso, algumas podem desenvolver estratégias para esconder suas dificuldades ou reproduzir comportamentos socialmente esperados, um processo conhecido como masking ou camuflagem.

O cansaço de tentar se adaptar

Para alguns adultos autistas, o esforço para parecer adequado às expectativas do ambiente pode se tornar tão constante que suas próprias necessidades acabam sendo deixadas em segundo plano.

A pessoa pode aprender a controlar seus movimentos, ensaiar conversas, esconder desconfortos sensoriais ou evitar demonstrar o quanto determinadas situações são difíceis. Embora essas estratégias possam ajudar em alguns contextos, o esforço contínuo de adaptação pode contribuir para o aumento do estresse e da exaustão.

Compreender o autismo na vida adulta não significa olhar apenas para as dificuldades. Também significa reconhecer habilidades, interesses, formas de comunicação e necessidades de suporte, sem exigir que a pessoa precise esconder quem é para ser aceita.

Diagnóstico e acompanhamento psicológico

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve considerar a história do desenvolvimento, as características individuais e os impactos do funcionamento da pessoa em diferentes contextos. A identificação de alguns sinais isolados não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.

A psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender a própria trajetória, reconhecer necessidades, desenvolver estratégias de enfrentamento e construir relações mais respeitosas com os próprios limites.

Você não precisa compreender todas as suas experiências sozinho. Buscar conhecimento sobre seu funcionamento pode ser um passo importante para desenvolver mais autocompreensão, autonomia e qualidade de vida.

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Mariana Muniz

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